domingo, 13 de novembro de 2016

Ninguém

Nada aqui é meu.
Nem eu mesma, não me pertenço.
Não passo de uma ideia.
Simplesmente não sei quem eu sou.
A ideia que penso ser é ser parte. Parte de uma casa. Sou um objeto de uma casa vazia.
Fazer parte. Sempre a parte, nunca inteira. Talvez por um momento inteira.
Nunca fui boa de matemática, deve ser por isso que me perco na divisão e me entrego demais.
Eu me estrago demais.

Leio frases sem sentindo onde me encontro.
Tenho um sentimento, as vezes parece ser de fuga, solidão, saudade.
As vezes, eu sei o que é. Eu quero voltar.
Me ouvir dizer que não queria estar aqui, onde estou, mas é onde eu quero estar.
Quero voltar para o início de toda essa dor. A dor sou eu.
Eu sei quem sou, só não queria me lembrar.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Laços

Nas suas letras me vi em forma de passado.
Planejei, sonhei, casaria, deixei, chorei, desabei.
Cai. Caí tão fundo que sorri.
Escalando, a muralha. Eu sei que vou cair de novo.
E chegando quase no topo, eu me perguntei o porque eu não desistia e pulava logo.
Minhas mãos estavam tão agarradas que começou a tingir de vermelho as pedras.
Estagnei bem naquela parte onde as músicas sem querer se tornaram algum tipo de promessa.
Eu pensei no certo e no errado, se é que eles existem.
Pensei nos nós. Nós. Bem amarrados, embaraçados.
Engraçado, tudo fica engraçado aqui do alto.
Estava tudo bem até, eu perceber que eu continuaria a escalar aquela muralha, ou até mesmo pulasse.
Estava tudo bem até, eu perceber que não era a muralha.
Era eu.
Me tornando passado de um presente recente. De um presente que talvez tivesse um futuro.
Eu falei que era engraçado.
Foi tanta gentileza que o adeus virou verdade.
E aqui de cima, a brisa seca meu peito.
Só aqui de cima eu pude perceber o que é não ter apoio. Escalei sem cordas.
Estou amarrada apenas a laços de cetim dourado.
Lembra de como chovia? O seu vestido preto. E o doce, não o seu beijo, mas aquele que era envolvido na fita dourada.
Meu lado esquerdo não quer entender o impossível.
Até porque tornamos possível, o que não passaria de um feriado, o que não passaria de textos, músicas, de, o que mesmo?
Esquecimento.
É isso que acontece agora?
Como eu consegui chegar aqui em cima?
Esses laços, e as minhas mãos vermelhas? Chuva? E esse gosto doce na minha boca?
Eu questionava enquanto eu caía e sorria.